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tarde e a más horas

um atrasado por natureza

tarde e a más horas

um atrasado por natureza

A sentir-me: Diletante

este tempo mata-me e dá cabo de mim. a pobre alma que habita em mim detesta a ociosidade com que faço das férias um tempo inútil. sentado à sensivelmente uma hora e trintra minutos - só para não parecer tão inútil - conto carros sentado na esplanada como quem conta ovelhas num torpôr de lume brando que não deixa o sono aproximar-se.

 

é estranho, até dormi bem.

 

na minha pose de esfinge veraneante - se é que isso existe -, permaneço impávido e sereno, excepção feita aos longos suspiros e às folhas dos maias que vou virando, cavalgando a trote - tal como carlos da maia - no adensar da trama, momento em que carlinhos chega a sintra com o único propósito de ver a boazona da irmã com quem ele vai aprender "com quantos paus se faz uma canoa".

 

óculos de sol e chapéu de palha na cabeça. perdoem-me, de cânhamo, porque o chapeleiro insistiu fortemente nesta característica, revoltar-se-me-ia (bem sei que esta terminologia está errada, mas dane-se) se não lhe fizesse agora justiça. a esplanada está desabitada e deserta, à excepção da minha pessoa, tal como aquelas aldeolas dos interiores do interior do país durante os outros meses, aqueles que não são o que se inicia hoje.

 

acho que vou pousar o livro, talvez dar uma volta, esticar as pernas e inutilizar o resto do tempo da tarde de forma mais útil do que sentado a contar carros e aventuras incestuosas. falar com as pessoas, ou até parler em vez de falar. acho que vou à procura de um prazer que me ocupe o tempo. o livro já esgotou a sua quota-parte. sim, vou ver o rio, a frescura da pouca água que o rio tem irá, prazerosamente, revigorar-me e tirar-me deste mudo e quedo tédio que me assola.

 

este tempo mata-me. bonjour a quem aparecer desse lado, esteja à vontade, se não me encontrar, fui por aí e volto já.